|Crítica| 'Supergirl' (2026) - Dir. Craig Gillespie
Crítica por Victor Russo.
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'Supergirl' / Warner Bros.
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Surfando no sucesso de Superman, Supergirl introduz a personagem de maneira protocolar e preguiçosa
Após James Gunn dar um excelente primeiro passo para o seu universo DC, com um Superman que resgata um cinema anterior, de cores vibrantes e um melodrama que gira em torno do confronto entre o herói e o mundo que o cerca, e expandia novas figuras na série Peacemaker, que lida com dilemas e conflitos políticos um tanto semelhantes, mas em pequena escala, Supergirl chega menos tentando ser uma consolidação pelo interesse desse recém-criado universo de super-heróis e muito mais apenas como a típica apresentação de personagem que visa muito mais os filmes seguintes. É tão divertido quanto ordinário.
Gunn deixa a direção a cargo de Craig Gillespie, diretor que já demonstrou habilidade para o humor quando gozou de alguma liberdade narrativa, em obras como Eu, Tonya, A Garota Ideal e Cruella, mas que aqui parece mais uma versão barata de Gunn, em um sub-Guardiões da Galáxia de uma dupla que às vezes vira trio, bastante desconexo e de conflito e espaço cênico extremamente repetitivos. Em certo sentido, é um filme que não sabe decidir a sua escala, e quando tenta extrapolar o tamanho do seu conflito esbarra nessa limitação criativa dos espaços e da imagem.
Tal como Gunn, Gillespie se sente confortável ao abordar personagens meio desajustados, e se algo funciona em Supergirl é Milly Alcock vivendo a heroína principal e seus dilemas sobre heroísmo apresentados desde o início, assim como a incapacidade de encontrar um lugar de conforto após perder seus pais e o seu planeta. É isso que justifica a motivação da possível perda de Krypto como catalisador da narrativa e o encontro com Ruthye (Eva Ridley) que vira conexão emocional e vai além do interesse em comum (o que já não faz sentido com o Lobo, que tem um Jason Momoa jogado na narrativa de qualquer jeito).
Ainda que consiga extrair uma leveza nesse humor típico de Gunn e tem uma ou outra cena de ação mais inspirada, Supergirl, no geral, é um filme preguiçoso. Muita gente o defenderá como um “filme menor”, o que, no fundo, é mais uma desculpa para um filme nem um pouco disposto a se arriscar e sem nenhuma inventividade. É arroz com feijão demais, a ponto de esvaziar seus conflitos e motivações, sem uma inspiração estética ou set pieces que realmente engajem o espectador.
Dessa forma, a heroína é desenhada a partir de um mesmo conflito típico de filme introdutório nesse tipo de universo e o seu conflito tanto externo quanto interno se repetem durante todo o longa, com uma evolução rumo ao heroísmo que é resolvida bem cedo, tirando o espetáculo que o longa acredita ter em suas sequências finais.
Porém, o maior problema vai além dessa história básica de personagens secundários sem muito peso e conflitos que quase sempre iniciam e se encerram da mesma forma, colocando o longa em um loop infinito das mesmas situações sendo apresentadas da mesma forma. É na mise en scéne que mora o maior desgosto do longa de Gillespie. Para um filme que se passa no espaço, atravessa planetas diferentes e têm diferentes criaturas extraterrestres, Supergirl é de uma falta de criatividade ímpar, que escorre também para as sequências de ação e toda a decupagem do longa. A maquiagem desses seres, quase sempre mais acinzentados, faz com que as diferentes espécies pareçam uma só. Já o espaço, hiperdependente do CGI, é ainda mais triste, composto por ruas estreitas e tavernas, bem derivadas do universo Star Wars, e um predomínio do cinza, tanto nos espaços fechados quanto nos mais abertos. Dá a impressão de faltar um diretor de arte, tanta é a falta de complexidade da cenografia em geral e da sua combinação com os figurinos.
É como se pegasse todos os vícios dos filmes mais genéricos do (super genérico) universo Marvel e reproduzissme no piloto automático, gerando um filme protocolar, sem vida, desinteressante e ora ou outra engraçadinho.


